Saiu o Manus 2.0: vídeo, jogo e automação no mesmo projeto.
A Manus voltou a operar sozinha e o primeiro lançamento veio grande: editor de vídeo com linha do tempo, jogo multiplayer publicado por link, automação que dispara quando algo acontece e um app novo de agentes, o Cue. O que cada parte faz, quanto custa, o único número que eles mostraram e como testar hoje.

A Manus lançou hoje o Manus 2.0. E eles fazem questão de avisar logo na primeira linha: não é uma atualização de versão. É uma arquitetura nova, produtos novos e capacidades novas, tudo de uma vez.
Na prática, o Manus agora edita vídeo com linha do tempo, cria jogo que roda multiplayer, dispara automação quando alguma coisa acontece nas suas ferramentas e ganhou um app separado só pra agentes pessoais, o Cue.
Eu resumi o lançamento inteiro aqui embaixo, parte por parte: o que cada coisa faz, o que é pago, quanto custa o que tem preço, o único número que eles mostraram e o que ainda não dá pra saber. Os prints estão traduzidos e os vídeos são trechos do filme oficial de lançamento.
Por que esse lançamento é diferente
É o primeiro lançamento grande depois que a Manus voltou a operar de forma independente. A história resumida: no fim de 2025 a Meta anunciou a compra da Manus, num negócio de cerca de US$ 2 bilhões. Em abril, a China mandou desfazer a compra. E no começo de setembro a Manus voltou a operar como empresa independente, com o time fundador no comando, segundo a Caixin e a TechNode.
O site deles hoje abre com uma faixa no topo: "Manus retomou as operações independentes. Nosso próximo capítulo começa agora." O 2.0 é esse próximo capítulo, e dá pra ver que eles quiseram chegar com muita coisa de uma vez.
O lançamento inteiro em uma lista
- Cascade: a base nova que roda por trás de tudo. Segundo eles, gasta menos e termina mais rápido.
- Manus Studio: o app de desktop mudou de nome e virou um espaço de trabalho pra documentos, planilhas, PDFs, slides, sites, código, jogos e vídeo.
- Video Editor e modo Alchemy: vídeo com linha do tempo editável peça por peça, e um modo em que a IA assume a direção criativa.
- Game Dev: jogo a partir de um template que já é jogável, com edição na mão, publicado por link e com multiplayer.
- Automations: tarefas que começam quando alguma coisa acontece, e não só num horário marcado.
- Cloud Computer: um computador na nuvem, pago à parte, pro que precisa ficar ligado 24 horas.
- Controle Remoto e Computer Use: você pede pelo celular e acompanha o Manus mexendo no seu computador.
- Cue: um app novo, separado, pra agentes pessoais com e-mail, telefone, carteira e computador próprios.
Cascade: a base nova, e o único número do lançamento
O Cascade é o que eles chamam de agent harness: a estrutura que organiza o trabalho do agente por trás da tela. A ideia é o projeto começar leve e o Manus só puxar uma ferramenta especializada quando o trabalho pede. E o briefing, a página, o vídeo e a automação ficam dentro de um único projeto conectado.

Numa configuração que eles testaram, o Cascade usou 23,2% menos tokens, terminou as tarefas em 28,2% menos tempo e custou 32% menos pra operar do que o sistema anterior. No gráfico, o antigo vale 100 e o novo fica em 76,8, 71,8 e 68.
E aqui tem um detalhe que muda a leitura. Esse é o único número do lançamento, e ele compara o Manus com o próprio Manus. A nota embaixo do gráfico avisa que todos os resultados vêm da mesma configuração testada e não são uma média geral. Comparação pública com ChatGPT, Claude, Gemini ou qualquer outro agente eles não mostraram.
Se você viu por aí um número de 86,5% no GAIA, que é um teste público de agentes, ele é da primeira versão da Manus, de março de 2025, e foi divulgado pela própria empresa na época. Não é do 2.0.
Pra quem usa, a leitura prática é essa: se o Cascade entrega o que promete, a mesma tarefa sai mais barata. Mas isso só dá pra confirmar usando no seu trabalho e olhando o consumo de créditos.
Manus Studio: o app de desktop mudou de nome e de tamanho
Com o 2.0, o app de desktop virou o Manus Studio, que eles descrevem como um espaço de trabalho compartilhado entre você e a IA. Ele trabalha direto com os seus arquivos, pastas e ferramentas locais, então o projeto começa do que você já tem.
O argumento deles é que cada tipo de trabalho precisa das próprias ferramentas, mas carregar tudo em toda tarefa deixa o trabalho mais lento e mais caro. Então o Studio só traz o que o projeto pede. E pra vídeo e jogo, que eles consideram o nível mais exigente, vieram dois ambientes novos: o Video Editor e o Game Dev.
Tem versão pra macOS com chip Apple e pra Windows. E o Manus 2.0 como um todo também está na web e no celular.
Video Editor: o primeiro corte é dele, o corte final é seu
O exemplo que eles usam é bem de quem vive de anúncio. Seu anúncio de lançamento vai ao ar amanhã, o Manus já montou um primeiro corte e está quase lá. Você só queria uma música mais aconchegante e preferia usar a foto do produto que você mesmo tirou, em vez da gerada.
Antes, no próprio Manus, uma mudança dessas virava prompt novo e vídeo inteiro gerado de novo. Agora o Manus te entrega a linha do tempo. Os clipes, as imagens, os textos, as animações e o áudio que ele usou ficam lá como peças separadas. Você troca a música, coloca a sua foto, mexe numa animação e exporta quando estiver satisfeito.

E dá pra devolver. Você pede pro Manus dar mais uma passada e ele trabalha em cima das suas edições, sem apagar o que você mexeu.
Eles dizem pra que ele foi feito: anúncios curtos de produto, de 30 a 60 segundos, UGC com IA, motion graphics com dados, tutoriais, vlogs e vídeos com foco em movimento. E que você não precisa de nenhuma experiência com edição.
Pra quem trabalha com criativo, é aqui que eu olharia primeiro. O fluxo que eles descrevem é o de criativo de verdade: a IA monta a primeira versão, você põe a foto real do produto e a trilha da marca, e pede mais uma rodada. O que costuma travar vídeo com IA é justamente o ajuste pequeno que obriga a gerar tudo de novo.
Modo Alchemy: a IA como diretora criativa
Dentro do Video Editor tem também o modo Alchemy. Você começa só com uma ideia e o Manus assume a direção criativa, usando geração de vídeo e código juntos.

Segundo eles, o salto de qualidade é grande: ideias mais criativas, detalhe visual mais controlado, movimento mais refinado e um ritmo de edição visivelmente melhor. A recomendação deles é usar o Alchemy quando a qualidade importa mais. E mesmo assim o resultado continua ajustável na linha do tempo depois.
Game Dev: do template jogável ao multiplayer
A frase deles é que a IA já consegue entregar uma versão decente do jogo que você sempre quis fazer, e o Game Dev é pra fazer a versão que você realmente tinha na cabeça.
Ele usa modelos de vídeo, imagem e código juntos. No modo Max Ultra, segundo eles, o jogo fica bonito, joga bem e responde certo na mão. E você começa de um template jogável, então já está jogando a sua ideia na primeira sessão.

No painel de Edição você vê o jogo rodando, gerencia os assets, mexe no código e muda movimento, arte e cena na mão. O exemplo deles: se o cabelo de um aldeão deveria ser prateado em vez de castanho, você seleciona aquele aldeão e troca. Todo o resto fica como estava.
Quando estiver pronto, você publica como um site que qualquer pessoa joga por um link.
E o multiplayer, que é onde a maioria desses projetos empaca. Ele precisa de um servidor sempre ligado e acessível pra cada jogador, o que quer dizer hospedagem, rede e manutenção. No Game Dev são alguns cliques:
- Configurar
- Multiplayer
- Selecionar Computador na Nuvem
- Comprar um
A partir daí o Manus cuida do resto. Funciona pra corrida, mata-mata, jogo competitivo e jogo 3D.
Onde isso encosta no marketing: jogo publicado por link é uma peça que a pessoa abre no celular sem instalar nada. Dá pra imaginar um jogo curto como isca de captação ou como ativação dentro de um lançamento. Isso é ideia minha, não exemplo da Manus. E, se for multiplayer, o servidor entra na conta.
Automations: agora o Manus começa quando algo acontece
Até aqui, as Tarefas Agendadas deixavam o Manus começar um trabalho só num horário marcado. Com as Automations, o trabalho também começa quando alguma coisa acontece num serviço conectado.
Os gatilhos que eles citam:
- chegou um e-mail novo
- mudou o desempenho de um anúncio
- aconteceu um evento no calendário
- chegou uma mensagem no Slack
- teve uma atualização no Notion
E o jeito de montar é um prompt só. Você diz o que ele tem que observar e o que fazer em seguida, e ele configura e executa o fluxo.

Repara no exemplo do meio. Checkout abandonado, dois itens, 128 dólares, e o Manus confere se pode falar com aquele contato e redige o e-mail de recuperação. E no filme de lançamento tem outro bem parecido: quando entra um lead novo no HubSpot, ele manda uma apresentação personalizada pra esse lead.
Três que eu montaria primeiro, com os gatilhos que eles listaram. Quando o desempenho de um anúncio mudar, montar um resumo do que mudou e mandar no Slack do time. Quando chegar e-mail de cliente pedindo reembolso, separar o caso e deixar a resposta redigida pra alguém aprovar. E quando a página do lançamento no Notion for atualizada, refazer a lista de tarefas da semana. Esses três são exemplos meus, montados em cima dos gatilhos oficiais.
Dois pontos que o post não responde. Não diz quais plataformas de anúncio estão conectadas nesse gatilho de desempenho. E não diz quanto crédito cada automação gasta rodando. Vale conferir as duas coisas antes de colocar uma automação importante em cima disso.
Cloud Computer: o computador na nuvem que você compra à parte
Alguns projetos não cabem numa máquina só. O jogo multiplayer precisa de um servidor que continue ligado quando você fecha o notebook, e a automação precisa de um lugar pra rodar 24 horas. Pra isso, agora dá pra comprar um Cloud Computer: um ambiente dedicado pro projeto que precisa dele.

O preço não está no anúncio, está na central de ajuda. Hoje são dois planos, cobrados por mês, os dois com Ubuntu Server 24.04 e IP público dedicado:
- Standard, US$ 30 por mês: 2 vCPUs, 4 GB de memória e 70 GB de armazenamento. É o recomendado por eles, pra site no ar, API e ferramentas como WordPress ou Metabase.
- Advanced, US$ 50 por mês: 2 vCPUs, 8 GB de memória e 120 GB de armazenamento, pra banco de dados grande de equipe e aplicação com muito acesso.
E tem um cuidado que está na central de ajuda e não aparece no anúncio. Se a assinatura do computador na nuvem vencer, a máquina é desligada e os arquivos, as ferramentas instaladas e os bancos de dados que estavam nela são apagados. O que o Manus já tinha te entregado no chat continua no histórico. Eles mesmos recomendam pedir pro Manus fazer backup do que é importante antes.
Controle Remoto e Computer Use: o seu computador pelo celular
O exemplo deles: você está num táxi e precisa da apresentação que ficou no computador de casa. Pede pro Manus achar a versão mais recente na pasta do lançamento e te mandar, e acompanha a tela do seu computador ao vivo no celular enquanto ele faz. Se preferir em PDF, é só pedir.

Isso funciona com o Computer Use. Numa sessão conectada e autorizada, o Manus trabalha num espaço próprio e visível dentro do seu computador, usando só os arquivos, o navegador e os apps que você aprovou. Ele pode testar o seu app enquanto você faz outra coisa, ou continuar trabalhando enquanto você está fora, e o controle continua com você.
Cue: um app novo, só pra agentes pessoais
O Cue é um app autônomo pra seus agentes pessoais, no celular e no desktop, construído em cima da mesma estrutura do Manus. O nome é trocadilho: cue em inglês é a deixa. Você dá a deixa e ele põe a mão na massa.

O que ele tem de diferente, nas três partes que eles apresentaram:
- Cada agente tem identidade própria. E-mail, número de telefone, carteira e computador. Então ele manda mensagem, paga dentro do orçamento que você definiu e termina a tarefa na própria máquina. E ainda atende as suas ligações e te deixa um resumo no Cue.
- Dá pra montar uma equipe. Você coloca vários agentes num chat em grupo com um objetivo em comum e eles dividem o trabalho entre si. O exemplo deles: um pesquisa locais pro seu lançamento em Nova York, outro faz a lista final, um terceiro monta a apresentação. Você dá a direção e decide no fim.
- Serviços do dia a dia. No restaurante, você escaneia o QR code e o agente faz o pedido por você ou guarda seu lugar na fila.
O que eu achei mais bem pensado é o pagamento. No filme, quando o agente vai pagar o pedido, aparece na tela a opção de permitir ou negar, e ele só gasta dentro do orçamento que você colocou.
Como entrar: o Cue está em acesso antecipado, grátis com código de convite. O código MEETCUE vale pra um número limitado de pessoas, por ordem de chegada, e quem entra ganha convites extras pra compartilhar. Ele está na web, no desktop e no celular, e no iPhone chega depois da análise da App Store.
Quanto custa o Manus
A página de preços mostra hoje três planos mensais: US$ 20 com 4.000 créditos por mês, US$ 40 com 8.000 e US$ 200 com 40.000. Todos dão também 300 créditos de atualização por dia, 20 tarefas ao mesmo tempo e 20 tarefas agendadas. No plano anual, eles dizem que dá pra economizar 17%.
O que a página não diz é quanto crédito o Video Editor, o Game Dev, o Alchemy e o Max Ultra gastam, nem se algum deles fica preso a um plano específico. O Cloud Computer é cobrado à parte, fora dos créditos.
Onde eu seguraria a empolgação
O único número do lançamento é interno, comparando o Manus novo com o Manus antigo numa configuração que eles escolheram, então serve como pista e não como placar. Todos os exemplos, do anúncio de amanhã ao aldeão de cabelo prateado, são da própria Manus. O computador na nuvem é pago à parte, de 30 a 50 dólares por mês, e apaga tudo se a assinatura vencer. O Cue ainda está em acesso antecipado, com convite limitado, e no iPhone depende da App Store. E eu ainda não testei nada disso, tá na fila: o primeiro teste vai ser um anúncio de verdade no Video Editor.
Como testar hoje
- Baixa o Manus Studio em manus.im/desktop, pra macOS com chip Apple ou Windows. O 2.0 também está na web e no celular.
- Pra vídeo: pede um anúncio de 30 a 60 segundos de um produto que você já vende, e deixa separada a foto real do produto pra trocar na linha do tempo. Aí testa o que mais importa: devolver pro Manus e ver se ele respeita o que você mexeu.
- Pra jogo: abre um template jogável e muda uma coisa só na mão antes de pedir qualquer coisa nova. Se for multiplayer, lembra que o servidor é o Cloud Computer pago.
- Pra automação: escolhe um gatilho que já te dá trabalho hoje, e-mail, Slack ou Notion, e escreve num prompt só o que ele tem que observar e o que fazer depois.
- Pro Cue: entra em cue.im e usa o código MEETCUE enquanto durar.
O anúncio completo da Manus, em português, está aqui: manus.im/pt-br/blog/introducing-manus-2-0.